Inseminação Artificial

Os pioneiros nesta biotecnologia da reprodução avícola são Burrows e Quinn (1937), que desenvolveram o método de massagem abdominal e pressão na região da cloaca, para coletar sêmen de galos. Com a técnica de coletar sêmen de aves, o rápido manuseio e o transporte desse sêmen de um lote de machos para onde se encontram as fêmeas, permitiu flexibilidade para quem trabalha com inseminação artificial e propiciou o desenvolvimento de procedimentos eficientes para preservar o sêmen de aves em condições in vitro por algumas horas (RUTZ et al., 2007).

Reprodutor da linhagem Rhode Island Red selecionado para programa de inseminação Coleta do sêmen do macho selecionado Frasco com o sêmen coletado Inseminação nas fêmeas selecionadas para o programa de inseminação

A inseminação artificial nessas condições é utilizada com sêmen fresco. Esta técnica é utilizada em criações de perus por dificuldades de acasalamento por monta natural e em capotes pela sazonalidade da monta natural. Espermatozóides de aves criopreservados produzem baixa fertilidade de ovos e seu uso ainda é experimental (Gill et al., 1999). A inseminação artificial é aplicada em aves e a coleta de sêmen e seu processamento, foram amplamente revisados por Sexton (1979), Lake (1986) e por Donoghue e Wishart (2000).

Coleta do sêmen do macho Coleta do sêmen do macho Dosagem da pipeta Quantidade a ser inserida no oviduto
Inoculação do sêmen na fêmea (destaque para as mãos do técnico no momento do estímulo da supracitada) Inseminação propriamente dita Destaque para a cloaca da fêmea revertida durante a inseminação Avaliação de ovos fertilizados através da inseminação

Na inseminação, os galos são submetidos ao processo de coleta de sêmen por meio de massagem abdominal no dorso e movimentos nas laterais da cloaca sendo o sêmen armazenado em pequenos frascos descartáveis tipo eppendorf, para logo em seguida o mesmo procedimento ser aplicado na reversão da cloaca das matrizes e o sêmen ser introduzido no oviduto das fêmeas através da utilização de uma pipeta de volume fixo de 0,025 ml, obedecendo metodologias propostas por Burrows e Quinn (1937); Etches (1996); Bakst & Bahr (1995).

Porém, para  que a inseminação apresente resultados positivos deve-se levar em consideração diversos fatores como a escolha do reprodutor e as características seminais do mesmo que podem ser evidenciadas através do exame andrológico (análise de características seminais).


Além disso, deve-se avaliar continuamente os resultados obtidos através da inseminação, incubando os ovos e avaliando o desempenho dos pintos gerados a partir destes.

Técnico incubando ovos oriundos de inseminação artificial em máquina de incubação industrial Avaliação da fertilidade dos ovos oriundos de galinhas inseminadas e dos pintos ao nascer Avaliação dos pintos ao nascimento Acompanhamento contínuo dos pintos oriundos de aves inseminadas

Algumas vantagens da I.A. em aves:

  • Eliminação de acasalamento preferencial;
  • Reprodução de linhagens comerciais e espécies de monta difícil ou impossível;
  • Menor número de machos pelo mesmo de fêmeas (redução de 7-10% para 2-3%);
  • Aumento da descendência dos machos de alto valor genético;
  • Elevação nos níveis de fertilidade (é possível compensar quedas na qualidade espermática e na capacidade de armazenamento da fêmea pelo aumento de concentração da dose inseminante e do número de inseminações, além da garantia de que todas as fêmeas foram inseminadas);
  • Redução nos custos de alimentação em 10 a 20% (menor necessidade de energia para a atividade sexual);
  • Possibilidade de aumentar a capacidade produtiva das instalações já existentes (pode-se dobrar a densidade de criação no galpão ao sair do piso para a gaiola);
  • Aumento na porcentagem de ovos incubáveis próximo de 2% (devido ao aumento de ovos limpos).

 Desvantagens da I.A. em aves:

  • Investimentos iniciais em instalações, equipamentos e treinamento de mão-de-obra;
  • Demanda e custo de mão-de-obra especializada;
  • Incidência de pododermatite em aves alojadas em gaiolas (especialmente as de linhagens pesadas).

Referências:
1. BAKST, M. R.; BAHR, J. M. Ciclos reprodutivos: aves domésticas. In: HAFEZ, E. S. E. Reprodução animal. 6.ed. São Paulo: Manole, 1995. p. 390-407.
2. BURROWS, W. H.; QUINN. J. P. The collection of spermatozoa from the domestic fowl and turkey. Poultry. Science, v. 26, p. 19–24, 1937.
3. DONOGHUE, A. M.; WISHART. G. J. Storage of poultry semen. Animal Reproduction Science, v. 62, p. 213–232, 2000.
4. ETCHES, R.J. Reproduction in poultry. Wallingford, UK: CAB International, 1996.
5. GILL, S. P.; HAMMERSTEDT, R. H.; AMANN. R. P. Poultry artificial insemination: Procedures, current status and future needs. In: Proc. Annu. Mtg. Soc. Theriogenology, Nashville, TN. pp. 353–362, 1999.
6. LAKE, P. E. The history and future of the cryopreservation of avian germ plasm. Poultry Science, v. 65, p. 1 –15, 1986.
7. RUTZ , F.; ANCIUTI, M. A.; XAVIER, E. G.; ROLL, V. F. B.; ROSSI, P. Avanços na fisiologia e desempenho reprodutivo de aves domésticas. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v. 31, n. 3, p. 307-317, 2007.
8. SEXTON, T. J.; GEE, G. A comparative study on the cryogenic preservation of semen from the sandhill crane and the domestic fowl. Symposium of the Zoological Society of London 43 89–95, 1978.